segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O SAC Paulistano


Sabe aquele buraco em que você passa todo dia e nunca vê tapado? E aquele poste de luz que está sempre piscando e, por vezes, apagado? E aquela calçada cheia de lixo?

Pois então, seus problemas acabaram......Chegou o Serviço de Atendimento ao Cidadão da Prefeitura de São Paulo!!

É claro que a solução para os problemas não será rápida como deveria ser, mas esse canal da prefeitura consegue ao menos dar previsões ou status das medidas que estão ou estarão sendo tomadas para resolver o problema. Parece incrível, ainda mais tratando-se de um serviço público daqueles tipos que não costumam dar respostas, porém quando uma reclamação é enviada, a resposta costuma chegar.

Nós brasileiros (e me incluo muito nisso) temos a mania de apontar e reclamar dos problemas que enfrentamos na nossa cidade. Entretanto, nós fazemos pouco, ou quase nada, para mudar, começando pelas eleições que recolocam 60% dos vereadores de volta na câmara.

"Xingar muito no twitter" não vai adiantar. Vá lá no SAC da Prefeitura e reivindique como um bom cidadão.



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pedágios nas Estradas Brasileiras: Mais uma na Conta do Povo

Caros,

Uso o espaço cedido pelo meu amigo Mikhael para falar sobre as estradas e como o governo, tanto federal como estadual, abusa do poder de criar impostos.

É bem verdade que entre as 10 melhores estradas do Brasil, 9 são do estado de São Paulo e estão em praticamente perfeitas condições. Porém a média de valor dos pedágios são extremamente altas. Peguem como exemplo: saí da capital São Paulo rumo a Franca - aproximadamente 400 Km - e paguei a bagatela de pouco mais de R$ 64,00.

Como se já não bastasse o preço absurdo dos combustíveis - nem vou entrar no fato do Governo TENTAR CONVENCER a população a comprar etanol com uma propaganda RIDÍCULA ("""combustível completão""") ao invés de baixar o preço do produto que produzimos - ainda somos obrigados a pagar por transitar nas estradas.

Vejam bem: não sou contra empresas privadas cuidarem da estrutura das estradas, até porque se deixássemos na mão pública, seria um lixo. Porém, se nós pagamos impostos para TUDO nesse país, inclusive esse tipo de infra-estrutura, eu pergunto: por que temos que pagar pedágio?

Se o governo é incapaz de cuidar das estradas brasileiras, deve terceirizar a solução. Mas cobrar a população duas vezes pelo mesmo serviço, aí é demais.

Eu não entendo.

E como o povo brasileiro não sabe protestar, a vida continua...

domingo, 11 de novembro de 2012

Fernando Haddad - A "nova" cara do PT


Com 55,6% dos votos válidos, a capital paulista elegeu Fernando Haddad seu prefeito para os próximos 4 anos numa eleição que podemos dizer que foi (ou será) histórica. Contrariando as pesquisas realizadas no início da campanha, Haddad saiu praticamente do banco de reservas da política nacional para tornar-se o centro-avante de um partido que esperava-se sair enfraquecido com a iminente condenação de seus principais caciques no escândalo do mensalão. Porém, os ventos de Brasília pareceram não ter abalado a força do grande cacique barbudo que saiu  ileso de toda essa história e ainda por cima foi capaz de alavancar a campanha do que parece ser a nova cara do partido. Jovem e de origem não tão humilde como os políticos em geral gostam de se apoiar.

O novo prefeito tem 49 anos e nasceu na capital mesmo e, por coincidência, aniversaria com a cidade que irá liderar, 25 de Janeiro. Seu último cargo público foi o de Ministro da Educação num período conturbado de implantação do novo ENEM como mecanismo de ingresso nas universidades federais principalmente. Sua gestão foi marcada por problemas de vazamento do conteúdo das provas por empresas contratadas para fabrica-las.

Filho de imigrantes libaneses estudou no famoso (e caro) Colégio Bandeirantes ingressando posteriormente na Faculdade de Direito da USP onde iniciou seu ativismo político presidindo o Centro Acadêmico XI de Agosto. Já com grande influência dos ideais de esquerda que ainda existiam na época participou dos protestos das Diretas Já que culminaram com a decadência da ditadura militar.

Tornou-se mestre em economia e doutor em filosofia na USP com trabalhos relacionados às questões sociais. Tem formação muito influenciada pela Escola de Frankfurt que consiste de uma linha neo-marxista que busca adequar as idéias marxistas tradicionais à realidade e desenvolvimento capitalistas do século XX.

Tanto pela formação pessoal quanto acadêmica de Haddad, fica claro que o PT está mudando e se adaptando aos anseios da população que teme e rejeita quaisquer radicalismos ou barbudos mau-humorados, sejam eles de esquerda ou direita. Essa postura popular é histórica por parte dos brasileiros que reelegeram FHC e Lula e fica cada vez mais consolidada com os avanços econômicos das duas últimas décadas. Isso fica ainda mais evidente na locomotiva do Brasil que é São Paulo. É como se diz na terra do futebol: "Em time que está ganhando não se mexe".

Apesar da origem em classe média (alta) e currículo acadêmico, Haddad conseguiu ganhar os votos da periferia em que o PT costuma ter mais força exatamente por explorar a origem humilde do grande símbolo do partido, que é o ex-presidente Lula, e também onde os programas sociais da gestão petista terem maiores impactos.

Resta agora prevermos como será a relação do novo prefeito petista com o governo tucano que lidera o estado praticamente em piloto-automático a quase duas décadas. Em compensação, a parceria com o governo federal foi bastante citada durante a campanha e não deverá ser diferente durante a gestão de Fernando Haddad, resta saber como essa parceria irá se refletir em ações efetivas numa cidade-estado como São Paulo.

Haddad desponta agora como o plano maior do PT para a presidência da República nos próximos anos. Plano que já é executado pelos tucanos através do jovial senador Aécio Neves. Qualquer que seja o resultado da futura disputa, acredito que a política brasileira mudou drasticamente e está acompanhando as mudanças na estrutura social e econômica que demandam pensamentos e figuras novos no cenário.

Meu maior receio, porém, é que os alicerces culturais de corrupção e falta de ética acabem mantendo-se na política nacional.


Bom trabalho ao novo prefeito!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Brasil, um país rico e violento.

Como tudo começou....

Recebi um email com a seguinte mensagem levantando uma discussão:

Hoje saiu a noticia: Ipea divulga "Desigualdade nunca foi tao baixa no Brasil". Eu tinha um post "Pobreza diminui e Violencia aumenta". Que eu me perguntava como pode a pobreza diminuir, classe media expandir e ao mesmo tempo a violencia aumentar? Eu ja acharia errado se ela se mantivesse nos mesmos niveis, mas aumentar só mostra uma incoerencia unica e que a impunidade tem sido o grande problema. Passamos da fase de problemas sociais como fome, desemprego e outros fatores. Entramos na impunidade. Como sempre, esquerdistas, pseudo-esquerdistas e pessoas que não gostam de se rotular assim mas sempre possuem a opiniao da esquerda, justificaram os numeros que eu apresentei como consequencia da "desigualdade no Brasil".Eu me pergunto agora, aonde está esta desigualdade?Acrescento ainda, que a maior tolice é pensar na desigualdade hoje em dia. Nunca tivemos tantas pessoas NO MUNDO passando por mudanças positivas como acesso a saneamento basico e um numero historico vivendo acima da linha de extrema pobreza. Basta pesquisar os numeros. Estão em todos os sites possiveis, desde as bases de dados da ONU, IBGE até veiculos como a Exame.Pela segunda vez deixei o debate aberto para outras pessoas. Normalmente temos esses "convidados".Abraços

A impunidade é um grande problema do Brasil, mas ainda assim precisaria entender melhor o que o autor do artigo define como violência. Digamos que a violência está distribuída em vertentes diversas que precisamos entender para chegar em alguma conclusão. Recomendo o site www.mapa

Por que digo isso? Quando lemos que a pobreza diminui e a violência aumenta parece que temos um incoerência, que pode ou não se justificar através do cenário de impunidade. Entretanto, temos a tendência de, imediatamente, relacionar violência à alguns tipos de agressão. Em outras palavras só associamos violência a matar, roubar ou agredir outra pessoa. 

A violência, contudo, vai além e eu gostaria de destacar a violência no trânsito. Sim!! mortes no trânsito são consideradas nas estatísticas de violência. E aí o contra senso da manchete do artigo fica mais coerente. O expressivo aumento do número de motociclistas que são produto dos avanços econômicos são o exemplo do "Pobreza diminui". Naturalmente, as mortes por acidentes na categoria acompanharam (e superaram) o crescimento da frota já que além de motos, aumentaram também o número de carros e caminhões nas ruas e estradas do Brasil. E aí o resultado natural é: "Violência aumenta". 


Outra consequência do crescimento econômico brasileiro diz respeito à maneira como nosso PIB é transportado pelo território. Na sua maioria, os produtos brasileiros são escoados via rodoviária, o que naturalmente aumentou o fluxo de cargas nas estradas que na maioria dos casos manteve-se nas condições pré "milagre brasileiro". O resultado disso foi um aumento nos acidentes em todo território nacional com destaque para os estados do Norte Nordeste, grandes beneficiados pelos avanços econômicos dos últimos anos.

Não podemos ignorar também o fato de que parte da violência no trânsito também é causada pela falta de fiscalização e impunidade. Porém a questão não é tão simples e não podemos apontar uma causa única, mas sim um cenário onde um dos fatores é a impunidade e ,na minha opinião, não acredito que ela seja a maior dessas causas.

Mas e a violência como vista "tradicionalmente"? Bom, dados do estado de São Paulo apontam uma diminuição drástica nos números de homícidios. É verdade que estamos num período de estagnação e até retomada no aumento das taxas de homicídios. Entretanto os avanços da última década são numericamente incontestáveis. Porém, não foi assim em outras unidades da federação.

Novamente, Norte e Nordeste apontam dados alarmantes em que a impunidade tem papel de protagonista entre as causas dos números observados. Porém, mais uma vez faço uma ressalva. Assim como as estradas não conseguiram adequar sua estrutura à demanda, os rincões brasileiros não conseguiram fortalecer (ou até mesmo instituir) suas instituições básicas e sua infraestrutura. Num Brasil cada vez mais urbano, as periferias em que a presença do Estado é frágil se proliferaram e a lei da bala prevalece como sempre prevaleceu só que em escala maior. 

Pra finalizar, o crescimento econômico seguido de aumento da violência no caso brasileiro é algo que em princípio causa estranheza, mas os dados são muito claros para o entendimento da atual situação. Falta de investimento governamental é uma das maiores causas dessa "incoerência". E neste caso, a direita liberal naufraga nos próprios louros do crescimento econômico, uma vez que o subproduto do avanço do PIB foi uma intensificação de problemas crônicos de infraestrutura e falta políticas sociais por parte do poder público.


Fontes:


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Liberdade de expressão vs. Islã


São notórias as notícias de embaixadas americanas sendo atacadas mundo afora por conta de um filme que expõe e ridiculariza crenças islâmicas. Um diplomata chegou a ser morto na Líbia vítima de um ataque que em princípio pareceu acidental, mas que a inteligência americana classificou como ato terrorista planejado.

Ainda essa semana um pequeno periódico francês publicou charges sobre o profeta Maomé e sobre o islamismo como forma de demonstrar que a liberdade de expressão deve estar acima de tudo. Como consequência, a França fechou suas embaixadas em cerca de 20 países com medo das possíveis represálias por parte das populações daqueles países.

Em geral, as opiniões sobre o assunto convergem para o fato de que não houve bom senso por parte dos autores das publicações já que o mundo Ocidental vive dias de tensão com o mundo Islâmico. Realmente, o que não sobrou foi falta de bom senso antes das publicações. Ainda mais no caso francês que jogou mais lenha na fogueira que já ardia firme. 

Contudo, dizer que há razão nos protestos que pipocam no oriente e que a América deve arder nas chamas é concordar com um pensamento medieval de populações que vivem um atraso educacional imenso. A liberdade de expressão é um direito fundamental apresentado às nações ocidentais desde a Revolução francesa. Houveram percalços e atrasos para alguns (Brasil), mas no geral hoje é possível publicar o que você quiser assumindo as responsabilidades sobre tais publicações. Entretanto aqui no ocidente, caso um grupo sinta-se discriminado, ele resolve as dúvidas morais e éticas nos tribunais. Tá, aí você vai dizer que não é bem assim por aqui. Aqui pode não ser, mas e na França? E na Dinamarca? E nos EUA?

A liberdade de expressão é "sagrada" aqui no ocidente e não pode estar condicionada às possíveis reações exageradas (e orquestradas) por parte das populações de países com maioria muçulmana que em geral são conhecidos por desrespeitarem a liberdade de outras crenças em seus territórios. O atraso deles não pode significar um retrocesso nosso de resolver questões desse tipo através do diálogo. Vale ressaltar que no diálogo as partes tem o direito de expressar livremente suas opiniões como deve ser.





segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Ditador

O título repete o da obra prima de Charles Chaplin. No que eu gosto de ver como uma releitura, Sacha Baron Cohen interpreta uma caricatura do típico ditador de uma república do petróleo localizada nos arredores do Oriente Médio. Ao contrário do original que era mudo, esta versão explora as sonoridades do sotaque de um árabe falando inglês. Entretanto, o mais surpreendente é que o espírito critico se manteve dentro do que foi originalmente proposto como sendo uma comédia. Segue abaixo uma prévia do que esperar no filme. Este trecho não está no filme e deve ter sido feito apenas para divulgação. Simplesmente sensacional!!!!


domingo, 19 de agosto de 2012

Cotas

No início deste mês, o Senado Federal aprovou as novas regras para cotas nas universidades federais. A lei prevê que 50% das vagas seja destinada a estudantes que cursaram 50% do curso em escolas públicas sendo que metade destas vagas serão destinadas à negros, pardos e índios de acordo com as proporções populacionais de cada estado.

Há sete anos atrás com a cabeça de um aluno de classe média recém-formado no ensino médio eu concluiria que isso é uma injustiça que não passa de mais um medida para ganhar votos dos mais pobres. Talvez por trás de toda essa campanha contra o movimento de instituição de cotas estivesse o medo de não ser capaz de retornar a altura todo investimento feito pelos meus pais na minha educação, toda ela em escola particular. Medo de ter que competir em "desvantagem" com outros concorrentes. Eu não enxergava que quem sempre esteve em desvantagem foram eles e que a competição sequer deveria existir.

Felizmente hoje, com mais bagagem cultural e, talvez senso crítico, posso afirmar que a regra é, sem dúvida, justa e está corrigindo anos, senão séculos, de injustiça social no Brasil. Não nascemos hoje e nem nunca nascemos iguais perante ao Estado brasileiro. Posso dizer isso porque aprendi história com bons professores na minha escola particular, o que não é verdade para os beneficiados pelas políticas de cotas adotada pelo governo.

Medidas que busquem igualar e corrigir a curto e médio prazo uma injustiça tão crônica são bem vindas e devem ser instauradas. É necessário porém sempre fazer uma ressalva de que medidas como estas são corretivas e devem ser acompanhadas de medidas de longo prazo como o investimento maciço na educação de base que nunca existiu de maneira universal no Brasil. 

Acredito que estamos alguns anos atrasados quando o assunto é igualdade de oportunidades entre as classes e raças. Porém, histórias como a dos "The Little Rock Nine"  nos lembram de como a intolerância certamente será condenada pelas próximas gerações.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Brasil e o sonho olímpico

Hoje, 06 de agosto de 2012, em Londres, Arthur Zanetti (anônimo até então) tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha na ginástica artística. Um feito memorável ainda mais tratando-se do Brasil que não possuía tradição no esporte.

Diz-se que no Brasil os atletas são muito cobrados por resultados excepcionais que podem se resumir em ser sempre o primeiro (Rubinho que o diga). Em rodas de conversa é comum depararmos com comentários do tipo: "Foi bem, mas ganhou prata" ou "Nem chegou na final". 

Quando o assunto é o quadro de medalhas é que os comentários descem a ladeira do respeito, principalmente aos outros povos: " Estamos atrás do Cazaquistão!!", "Estamos atrás da Etiópia, não é lá que eles passam fome?". Só para esclarecimento, estamos sim atrás do Cazaquistão simplesmente porque esse país fez parte da União Soviética e ainda colhe(e semeia) frutos de esportes tradicionais no país, geralmente lutas. Sobre a Etiópia, prefiro deixar que cada um chegue a sua própria conclusão sobre um comentário do tipo que transcrevi acima. Todas essas comparações só desmerecem os outros países que com mais ou menos dificuldades competem e conquistam suas medalhas.

O motivo deste post na verdade está na cobrança que os atletas brasileiros têm que enfrentar por parte da população em geral. A mídia, sempre bastante hipócrita, adora mostrar compaixão aos "perdedores" exaltando o espirito Olímpico, mas na verdade só valoriza mesmo quem chega lá, considerando que chegar lá não é estar em Londres competindo, mas sim ocupar o lugar mais alto do pódio.

No fim de semana passado o desempenho (e expressão) do nadador César Cielo foi o retrato da cobrança por parte de mídia e o seu rebanho conhecido também pelo nome povo. A manchete abaixo é a síntese disso tudo:


Certamente esperando manchetes do tipo Cielo declarou logo após a final: 




"Não gostei da minha prova. Sinceramente, achei que podia ter feito melhor, se não tivesse nadado os 100 livre. Estou me sentindo um pouco cansado hoje, então acabou prejudicando um pouquinho, mas dei tudo o que eu tinha que dar, fiz o meu melhor, agora é pensar no futuro"





A pressão que fazemos por resultados excepcionais é uma tremenda injustiça com esses atletas. Primeiro porque a maior parte deles recebeu pouco ou nenhum incentivo por parte do governo que deveria fomentar essas atividades. Está na Constituição (sic). 

"Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um [...]"

Já a realidade é a que vemos em notícias como a abaixo...


O ciclista sem uniforme reserva pode ainda ser considerado um sortudo por ter o primeiro (rasgado) uniforme.

Apesar de tudo, tais fatos me fizeram, relutantemente, concluir que a cobrança que existe sobre os atletas pode até não ser justa, mas é legítima uma vez que ela nasce nos próprios atletas e nos "contamina". Todos eles passaram dificuldades inimagináveis pra mim e provavelmente pra você que lê isso. Os obstáculos vão desde falta de aparelhagem de ponta até coisas básicas como uma refeição (afinal não é só na Etiópia que pessoas passam fome). E por todos esses percalços, a glória do primeiro lugar é o único resultado que faz toda a luta ter valido a pena. E nós, os compatriotas desses guerreiros, sabendo das dificuldades enfrentadas por esses caras torcemos incondicionalmente caindo na desgraça de passar do ponto exigindo somente o impossível ou improvável terminando por desvalorizar méritos abaixo do esperado, a começar pelo 2o lugar. O brasileiro não precisa aprender a perder, mas saber para quem perdeu. E em geral, perdemos para nós mesmos quando não damos os incentivos devidos àqueles que merecem.

Termino este post com uma frase dita em 1994 (seis anos antes de falecer) pelo goleiro Barbosa da seleção brasileira vice-campeã mundial da Copa de 1950:



"Neste país, a pena máxima criminal é de 30 anos. Não sou criminoso e já cumpri dez anos a mais do que isso. Tenho o direito de dormir tranqüilo"